ERASTO GURGEL BANHOS viveu intensa e alegremente de 1919 a 1991. Meus agradecimentos especiais à D. Odete (viúva) e aos filh@s Celia, Nice, Vavá e Eliton Banhos que, amorosamente, cederam material e depoimentos valiosos para o blog.
O blog é em homenagem à vida e à obra deste grande ser humano que há 20 anos foi brincar em outras paragens, à beira d'água. Viva o Palhaço Alecrim, Viva Erasto Banhos, sempre!!!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Erasto Banhos, antes de ser o Palhaço Alecrim

D. Odete(viúva), Bené(sobrinho) e amiga,  na Barraca dos Artistas, no Círio de Nazaré



Trechos do artigo de jornal Alecrim  da beira d'água, de Heraldo Montarroyos, publicado no Jornal O Liberal, Carderno Dois, de 12 de julho de 1990:

"Era uma vez uma família grande, de reconhecido prestígio artístico. Em tempos de Círio, ia para o Arraial participar dos "Teatrinhos de Nazaré". O menino Erasto, como os outros irmãos, ajudava no que podia: levava as roupas dos artistas para a Praça dos espetáculos; comprava  algumas vezes, os cigarros que seu pai pedia nos momentos de pré-estreia. Pelas ruas, nas altas horas da madrugada, carregava um imenso saco contendo as vestimentas, ainda suadas, dos atores. A disposição sempre era admirada pelos parentes.

Nascia um teatro mambembe, o da Companhia de Artes Cantuária. Como jovem, não hesitou em se tornar um galã, cantor de samba de breque ou samba de chapéu de palha. As viagens foram, por isto, mais e mais e mais crescentes. Entre os anos de 36 a 54, a sua presença e voz deixariam deliciosas recordações em Manaus, Maranhão, interior do Nordeste. O Serviço Nacional de Teatro patrocinava, por sorte todas as apresentações.

"Nesse período que viajei têm muitas paradas interessantes que me fazem ainda rir bastante." O show começava lá pelas 8 da noite. Dramas, comédias variadas com caipiras; o teatro mambembe, assim, deixava marcas inesquecíveis em terras distantes. "Me recordo uma vez que uma artista estava vestida como Santa, Santa Terezinha se não me falha a memória. Estava nos altos sustentada por uma enorme escada. O povo de Campina Grande que assistia a nossa apresentação ria pelos cotovelos, jogava-se flores para cima com fé e graça. Mas, o mais engraçado vinha depois. O prefeito entrava no pequeno palco para nos cumprimentar. Inesperadamente, a escada começou a cair, caía, caía. O prefeito, então não teve outra senão segurar com desespero a escada, evitando algo menos alegre. O cumprimento da autoridade virava, sim, uma parte preciosa do sucesso que fizemos neste show". Santa Terezinha ria com os nervos à flor da pele.

"Quando voltamos pra Belém, em 54, ocorria o Círio de Nazaré, e a Companhia na qual eu sempre participei, partia para uma temporada no interior do Pará."

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